Como você vai?

Como você vai?

Escrito em 13/05/2019
AlunosJOR Jornalismo UFSC


Desvendando o desafio da mobilidade urbana em Florianópolis

Para Rita de Cássia Hammes, aposentada de 63 anos que mora na parte continental de Florianópolis, lembrar da cidade há 50 anos é como viajar para outro lugar. A antiga ponte Hercílio Luz, que era a única passagem entre a ilha e o continente até 1975, nunca foi vista como um local de filas e transtornos. O dia de fazer as compras no centro da cidade, que ocorria poucas vezes no mês, era esperado como um grande momento de lazer para as famílias que moravam no outro lado do mar. Voltando do passado para os dias atuais, o crescimento da população, o aumento desproporcional do número de carros e o despreparo das estradas para a nova realidade, acabam gerando dificuldades para quem faz esse trajeto diariamente.

Leila da Silva, moradora de Biguaçu que costuma usar o transporte público para chegar ao trabalho, diz que além de ser uma alternativa mais barata, optar pelo ônibus acaba sendo uma forma de reduzir o número de carros nas ruas, e consequentemente, as filas.

Vamos supor que um [ônibus] coletivo carrega umas 60 pessoas… se essas 60 pessoas botassem mais 60 carros [na rua], como seria? Então eu prefiro essas 60 [pessoas] todas no coletivo. São 60 carros a menos. Então é menos poluição, menos estresse e mais segurança.

Gastando em média 1h40min no transporte público por dia, ela concorda que o conforto nem sempre atrai a busca por essa opção, unindo os poucos horários de ônibus em alguns bairros com a superlotação diária, a busca pelo carro acaba sendo uma consequência para algumas pessoas.



O que mostram as pesquisas

 

Para o arquiteto e professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC, Sérgio Torres Moraes, o conceito de mobilidade urbana não significa, necessariamente, a possibilidade de se locomover para lugares distantes. Ele acredita que o planejamento das cidades deve garantir acessibilidade da população para os serviços básicos, evitando assim as longas distâncias.


De acordo com informações coletadas pelo Plamus (Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis), a cidade já é a região metropolitana brasileira que mais utiliza o automóvel particular para se locomover no dia a dia. Uma das hipóteses que aumentam esse número é o fato de que usando o transporte público se gasta o dobro do tempo para chegar no local desejado. A consequência acaba envolvendo o número de mortes nas estradas, segundo dados do Mapa da Violência de 2014, 22,6% dos óbitos foram causados por acidentes de trânsito.

Franciel Walter, que mora na região continental e vai ao trabalho de carro diariamente, costuma levar em média 1h para chegar na Trindade. De acordo com ele, entre 7h e 9h da manhã a cidade para, fazendo com que um caminho que costuma ser feito em 20 minutos sem fila, acabe triplicando. Uma pesquisa feita pelo IBGE em 2010 mostrou que essa conclusão é mais acentuada no transporte público, o tempo médio gasto para um deslocamento com ônibus acaba chegando a cerca de 25 minutos a mais por viagem quando comparado a um veículo privado. Continuar usando o automóvel no seu caso é uma escolha baseada no conforto e na segurança, já que os gastos com combustível chegam a ultrapassar a faixa de trezentos reais mensais, além das eventuais manutenções.

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