De corpo e alma: a essência de Louise por meio da arte

De corpo e alma: a essência de Louise por meio da arte

Escrito em 13/05/2019
AlunosJOR Jornalismo UFSC


Reportagem por Amanda Rosa, Carla Mereles e Júlia Mallmann

Com voz suave e simpática, Louise conta que, apesar de sonhar muito, tem seus pés no chão. Define-se como um alguém “de humanas”, um tanto louca e diferente, cuja racionalidade vem de casa. Sua mãe e seu pai são matemáticos, pessoas organizadas que cabem no estereótipo de “de exatas”. Apesar disso, contribuíram com o lado artístico de Louise, já que a sua família como um todo é bastante barulhenta. Sua mãe é fã de rock dos anos 1980; seu pai é apaixonado por bolero e samba. E a dança ocupa a noite do casal sempre que podem ir a algum baile. Nas histórias também constam o avô que tocava acordeon e o tio que gosta de cantar e que, com 80 anos, gravou um CD. “Acho que a arte está no gene desse lado da família”, reconhece.

 “Acho que a arte está no gene desse lado da família”, reconhece.

Louise Enriconi, com seus vinte e poucos anos, é apaixonada por arte em todas as suas formas: escrita, música, dança, atuação… Em Florianópolis, participa de uma companhia de teatro musical, onde consegue exercitar algumas dessas paixões. Já participou de peças, assim como de um curta-metragem mais recentemente. Apesar de lhe incomodar a desvalorização de artistas locais, Louise é otimista e crê no poder de rede: quanto mais as pessoas ficarem sabendo das produções feitas na cidade, mais irão se interessar e apoiar o cenário cultural, possibilitando o crescimento da comunidade de artistas. “O teatro é também uma forma de transformação da sociedade. E é político também. Não só o teatro, mas a peça em si, como o ato de ousar fazer teatro em uma cidade que não te dá oportunidade, por exemplo”.

Quem conversa com Louise, tamanha a fluidez com que fala, não imagina que ela já foi menos comunicativa. A arte teve um papel primordial na sua descoberta e autoconhecimento. A primeira forma de arte com que se relacionou foi a escrita e, quando criança, dizia a todos que gostaria de ser escritora. Mais tarde, passou a fazer teatro e aulas de canto em grupo. Acredita que essas formas de expressão a transformaram numa pessoa mais aberta e mais transparente com seus sentimentos. O teatro e a música se tornaram ferramentas: fizeram-na transformar suas emoções em arte. Sua paixão em escrever, cantar e criar harmonias resultou na composição de músicas completamente suas, da letra à melodia — “nas quais me entrego de corpo e alma”, confidencia.

“(Música) É entregar a si mesmo para outras pessoas e é entregar você mesmo para você mesmo."

Entrega é a palavra que resume a relação de Louise com a música. “É entregar a si mesmo para outras pessoas e é entregar você mesmo para você mesmo. De modos como você talvez não teria descoberto antes não tivesse permitido fazer isso”. Na mistura de razão e sensibilidade, ela conta alguns de seus sonhos. Um deles, realizou recentemente ao se unir a uma banda. Mas ainda quer publicar um livro, colocar músicas autorais em várias plataformas, criar um vídeo de uma música sua… “Então, tenho vários sonhos. Mas tô feliz onde estou ao mesmo tempo”. Em dez anos, diz que estaria realizada se continuasse unindo todas as suas paixões. Para ser ideal, estaria ganhando um pouco mais dinheiro e teria mais tempo livre para escrever. “Acima de tudo, daqui a dez anos quero ter muitas histórias pra contar”, e sorri.